24th out
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Agricultura Familiar no Japão

Não é preciso muito tempo no Japão para encontrar uma propriedade de agricultura familiar. O país é um arquipélago que sempre sofreu com a falta de espaço e luta todos os dias para aproveitar cada centímetro quadrado e torná-lo produtível/útil.

Seja pousando em Tóquio, no aeroporto de Narita (que na realidade não fica em Tóquio, mas na província de Chiba) ou em outras regiões, você encontra as hortas ou o famoso tanbô 田んぼ / hatakê 畑 (plantações, áreas cultivadas, numa tradução livre).

Existe uma predominância clara e lógica do cultivo do arroz, fonte primária de carboidrato na dieta japonesa cotidiana, mas você encontra plantações de nabos, cenouras, cebolas, alhos, cebolinhas, pepinos, abóboras e árvores frutíferas (normalmente encontramos caquis, figos, mexericas, limões/yuzu, maças).

Grandes fazendeiros? Grupos agrícolas?

Não. Agricultura Familiar. Famílias, gente mesmo. Trabalhando perto de suas casas, com recursos e maquinários próprios, muitas vezes em modelos de cooperativas. O Japão tem uma estrutura financeira dedicada aos produtores agrícolas e pescadores muito refinada, com estímulos, linhas de crédito, linhas de transporte e frete para que o mercado interno esteja bem abastecido (além de recolher impostos, gerar consumo de serviços, etc.) e promover o bem estar social através do estado (saúde, educação, saneamento básico, etc.). Quem tiver curiosidade leia sobre as 694 regionais da JA (Japan Agricultural Cooperatives).

A gente encontra estas “hortas” do lado de casa, no quarteirão, na nossa cidade, nas cidades vizinhas, em Tokyo, no interior… Confere o vídeo que nós fizemos na vizinhança mostrando isso.

Qual a surpresa aí?

Não nos surpreendemos com isso depois de um tempo vivendo. Mas ir num supermercado de médio/grande porte (25 check outs, em frente a um home center e drogaria) e encontrar uma gondola com “produtores locais” é algo bacana.

Aaaaa mas eu vejo direto produtores locais.

Da cidade que você mora? Não moramos em Tóquio atualmente e vimos um produtor da cidade, vendendo num supermercado grande da cidade. Isso prova uma integração na produção local e um modelo minimamente sustentável que remunera todos na cadeia produtiva. É profissional, mesmo sendo agricultura familiar.

Aqui em cima é um relato disso. Para que não haja nenhum engano: não é que só tem produtor local. Por exemplo, se eu comprar um cogumelo que veio da província de Nagano vai estar escrito numa etiqueta, mostrando alguma diferenciação (made in Nagano sabe?).

Se isso não é uma conexão fantástica da comida, não sei o que é.

Sustentabilidade, produção cooperativa, política estatal de agricultura familiar, gestão de serviços financeiros para agricultores, logística, controle de qualidade, marketing, posicionamento, valorização de produto regional…Tudo em torno da comida.

Inevitável fazer comparações com o Brasil, vasto em território mas um tanto decepcionante em organização e cooperação. Sabemos hoje da força da agricultura familiar no nosso país, mas cremos que haja muito espaço para melhoria ainda.

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